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Desmistificar as Emissões de Scope 3

Feb 26, 2026 .

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Desmistificar as Emissões de Scope 3

Quando as empresas falam sobre a sua pegada de carbono, o foco recai muitas vezes sobre aquilo que controlam diretamente, como as suas caldeiras, viaturas ou consumo de eletricidade. No entanto, na maioria dos casos, a maior parte das emissões ocorre fora desses limites. São as chamadas emissões de Scope 3, e representam hoje uma das áreas mais relevantes e desafiantes do reporte climático.

Compreender o Scope 3 é essencial para qualquer organização que queira ter uma visão completa do seu impacto ambiental e desempenhar um papel real na transição para uma economia de baixo carbono.

Compreender os Três Scopes

Para uniformizar a medição e o reporte de emissões, o Greenhouse Gas Protocol Corporate Standard introduziu três categorias: Scope 1, Scope 2 e Scope 3. Em conjunto, estas três dimensões permitem obter uma visão abrangente das emissões associadas às operações de uma empresa e à sua cadeia de valor.

  • O Scope 1 refere-se às emissões diretas, provenientes de fontes que a empresa detém ou controla.
  • O Scope 2 diz respeito às emissões indiretas associadas à energia adquirida, como eletricidade, calor ou vapor. Embora as emissões ocorram fisicamente na central de produção de energia, são atribuídas à empresa porque resultam do seu consumo energético.
  • O Scope 3 vai mais além. Inclui todas as outras emissões indiretas que ocorrem ao longo da cadeia de valor da empresa, tanto a montante como a jusante. Estas emissões não resultam de ativos detidos ou controlados diretamente pela organização, mas estão ligadas às suas atividades.

O Scope 3 reflete a realidade de que nenhuma empresa opera de forma isolada. Cada produto depende de matérias-primas, fornecedores, transporte e de clientes que o utilizam e eventualmente descartam. E as respetivas emissões podem surgir em várias fases: seja quando um fornecedor fabrica componentes, quando esses componentes são transportados, quando os clientes utilizam o produto final, e até mesmo no fim de vida do produto, no seu tratamento.

Importa ainda referir que o Scope 3 está estruturado em 15 categorias, divididas entre emissões upstream (a montante) e downstream (a jusante). Esta divisão permite às organizações identificar com maior clareza onde se concentram os principais impactos ao longo da sua cadeia de valor.

Graficos NL

A relevância do Scope 3

Numa primeira fase, as empresas focaram-se sobretudo no Scope 1 e no Scope 2, visto serem mais fáceis de medir e dependerem maioritariamente de dados internos. No entanto, esta abordagem revela apenas uma parte da realidade.

Segundo a BSR, em determinados setores de atividade, as emissões de Scope 3 podem ser em média ser 5.5 vezes superiores à soma das emissões de Scope 1 e 2. Ou seja, a maior parte do impacto climático de uma empresa pode estar fora do seu controlo direto.

Sem informação relativa ao Scope 3, uma organização pode aparentar uma pegada reduzida, quando na verdade uma parte significativa das suas emissões ocorre, por exemplo, na sua cadeia de abastecimento ou durante a utilização dos seus produtos. A relevância do Scope 3 para o reporte climático manifesta-se sobretudo neste aspeto, na medida em que permite evitar que as emissões sejam simplesmente transferidas ou ignoradas.

O Scope 3 desempenha um papel fundamental na avaliação do risco climático e na resposta às expectativas de investidores, reguladores, colaboradores e comunidades.

Uma nova forma de olhar para a Responsabilidade

Apesar da sua relevância, o Scope 3 é a categoria mais desafiante de medir e gerir, uma vez que depende de informação de terceiros, como fornecedores, parceiros logísticos, clientes e outros intervenientes da cadeia de valor. No entanto, persiste o mito infundado relativamente à complexidade do respetivo cálculo, e é importante desmistificar esta ideia. O cálculo rigoroso das emissões de Scope 3 é exequível, desde que adotadas as metodologias adequadas e as abordagens previstas pelo Greenhouse Gas Protocol, que fornece orientações claras para a sua quantificação.

Uma maior transparência, alcançada através de uma recolha de dados mais rigorosa e precisa, tem um impacto direto nas estratégias de redução definidas. Aliás, existe uma hierarquia na obtenção de dados que deve ser considerada na elaboração de um inventário de emissões. Os dados primários, recolhidos diretamente junto de fornecedores ou parceiros da cadeia de valor, encontram-se no topo desta hierarquia, por refletirem de forma mais precisa a realidade específica da organização. À medida que se desce na hierarquia, surgem dados secundários, médias setoriais ou fatores de emissão genéricos que, embora úteis numa fase inicial, podem conter pressupostos e exclusões justificadas, tal como algum grau de incerteza.

A crescente importância do Scope 3 reflete uma mudança na forma como as empresas encaram a sua responsabilidade climática. O impacto ambiental não se limita às fronteiras físicas da organização. Na verdade, estende-se a toda a rede de fornecedores, parceiros e clientes.

Este enquadramento leva as empresas a questionar:

  • Quão intensivas em carbono são as suas cadeias de abastecimento?
  • Qual é o impacto da utilização dos seus produtos pelos clientes?
  • O que acontece aos respetivos produtos no fim de vida?
  • Estarão os seus investimentos a financiar atividades com elevadas emissões?

Ao adotar esta perspetiva mais abrangente, as organizações evitam simplesmente deslocar emissões para outras etapas da cadeia de valor e passam a assumir uma responsabilidade mais completa.

eveniet.

Fontes

Ballentine, R. (2024). Scope 3: What question are we trying to answer? Frontiers in Sustainable Energy Policy, 3, 1378390.

Schmidt, M., Nill, M., & Scholz, J. (2022). Determining the scope 3 emissions of companies. Chemical Engineering & Technology, 45(7), 1218–1230.

Shrimali, G. (2022). Scope 3 emissions: Measurement and management. The Journal of Impact and ESG Investing, 3(1), 31–54.

BSR. (2020). Scope 3 emissions: Science-based targets and climate action in the value chain. https://www.bsr.org/en/reports/scope-3-emissions-science-based-targets-climate-action-value-chain

IBM. (n.d.). Scope 3 emissions. IBM Think. https://www.ibm.com/think/topics/scope-3-emissions

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